sábado, 1 de fevereiro de 2020

As chuvas no ES e o Braço Sul do rio Jucu


A chuva no Espírito Santo, quase sempre, chega balizada por extremos, ora para mitigar um longo período de seca, como aconteceu em setembro de 2019, quando cerca de dezesseis municípios ficaram em estado de alerta, ora com catástrofes que atingem regiões inteiras, como aconteceu com o Município de  Iconha, em janeiro desse ano, quando um rio se formou na praça central da cidade e pudemos observar o desespero dos moradores tendo as suas casas inundadas pelas águas, carros e árvores sendo arrastados pela correnteza e prejuízos incalculáveis como a perda de vidas humanas e de muito animais.

É obvio que existe um desequilíbrio. 

Lembro que nas minhas primeiras lições de história a professora contava que bênção que eram as cheias do Rio Nilo para o Egito, elas fertilizavam o solo e  o país era chamado de "Celeiro do mundo". Que título ganharíamos hoje? 

O conhecimento específico/científico aumentou vertiginosamente e o ser humano involuiu em outros aspectos. Hoje, é inegável a existência de alterações no clima, e olha que eu não sou especialista nessa área, mas estudos sérios afirmam o que já observamos na vida cotidiana, a regularidade das chuvas, por exemplo, está modificada e chove em um dia ou dois o volume d'água que deveria chover em um mês. 

Enfim, a chuva afetou os capixabas grandemente nesses últimos dias, graças a Deus uma corrente de solidariedade se formou e muitas pessoas ajudaram os conterrâneos afetados, nós entramos nessa corrente. Um amigo nosso do Grupo de Meliponicultores do ES teve a sua casa arrastada pela chuva e também perdeu o seu pai, a AMES-ES, da qual somos parceiros, se reuniu e realizou uma rifa que arrecadou mais de dez mil reais, um apoio singelo frente à perda do amigo, mas que mostrou que as pessoas se importam, e tantos outros exemplos a gente presenciou. 

Marechal Floriano sempre sofre com alagamentos e, especialmente, com represas que ameaçam romper. Que mania o povo tem de fazer represa? O pobre Rio Jucu sofre horrores. O Braço Sul do Rio Jucu passa dentro da nossa Reserva Natural, nós o mimamos e as vezes até canto para ele e para as capivaras que ficam costurando as margens. Como eu amo meu riozinho! 

Pois bem, nessa chuvarada o riozinho cresceu, cresceu e sua margem triplicou, ele alcançou a estrada e nem pudemos passar com o carro, tivemos que ir a pé levar comida para os animais resgatados e em transição para a mata. Fiquei olhando para o meu Jucu, nunca o vi tão decidido, acho que mesmo cantando pra ele seria arrastada, caso entrasse nas suas águas. 



O alerta está dado, ou a sociedade muda ou a natureza irá se reorganizar, não tem nada haver com ódio ou vingança da natureza, a natureza é dádiva de vida, até mesmo na morte, ela é puro amor, mas, há consequências. 

O ser humano precisa adquirir a consciência de que há consequências para os seus atos: Marianas, Brumadinhos, garimpos, desmatamentos, queimadas, plantio de monoculturas, caça, e outras desgraças que estão arraigadas na cultura e que precisam mudar. Ou mudamos ou a natureza nos ensinará uma lição definitiva, disso não tenho dúvidas. 

Enquanto isso, continuaremos cuidando da nossa florestinha, e eu continuarei cantando para o nosso braço sul do Rio Jucu.

Renata Bomfim

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